Governo da Congregação – servir acima de tudo!

Pe. José Raimundo da Costa, SDN
Superior Geral

No mês de outubro passado, no dia 19, fui eleito Superior Geral da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (Sacramentinos de Nossa Senhora). A eleição se deu em uma reunião oficial convocada pelo Superior vigente intitulada Capítulo Geral Ordinário Eletivo.

O que é um Capítulo Geral

O Capítulo geral, devidamente convocado e constituído, é o órgão supremo de governo interno da Congregação, e a representa. Expressa o zelo pelo “patrimônio” espiritual da Congregação, revitalizando a missão sacramentina (Const. 150-151).

Os membros da Congregação são convocados para tal exercício e têm a possibilidade e oportunidade de oferecer sugestões e subsídios para o novo governo. Nem todos participam da assembleia capitular, mas são representados através dos superiores de comunidades e de representantes eleitos em grupo de dez.

Como nasceram os Capítulos?

Foram os monges beneditinos que inventaram os capítulos. No começo, eram capítulos locais, porque cada mosteiro era independente. Foi no séc. VIII que começaram a se reunir para fazer a leitura e a explicação de um capítulo da Regra. Essa reunião acabou recebendo o nome de Capítulo, usado também para a sala em que era feita. Mais tarde, o costume oriental de reunir os superiores de mosteiros todos os anos acabou produzindo os sínodos de abades, que também foram chamados de Capítulos. Capítulos gerais foram institucionalizados pelos cistercienses em 1119. Outras ordens monásticas os imitaram, e eles foram oficialmente instituídos no IV Concílio de Latrão, em 1215.

Nossa congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora já tem 88 anos, celebrando sempre o seu aniversário no dia 25 de março. Já se realizaram 16 Capítulos Gerais, sempre na  Casa-Mãe em Manhumirim. A XVI (2017) Assembleia Capitular, realizada nos dias 16 a 20 de outubro de 2017, escolheu o Tema: “Homens eucarísticos numa sociedade líquida” e o Lema: “Participamos de um único pão para formarmos um só corpo” (1Cor 10,17).

Tarefa do Capítulo Geral

O Capítulo Geral examina o estado da Congregação na sua administração interna e nas várias frentes de missão: paróquias, áreas missionárias, meios de comunicação, casas de formação, projetos sociais. Este exame deve levar os membros do Capítulo a defrontar-se com a realidade da Congregação e com a realidade de cada um.

O Capítulo Geral apresenta diretrizes específicas para toda a Congregação, propondo um roteiro que ajude o Missionário Sacramentinos a viver com mais autenticidade a sua vocação missionária. Finalmente, os delegados elege a liderança da Congregação para os próximos quatro anos: o Superior Geral e os seus Conselheiros, que juntos formam o Governo Geral.

A função do Superior Geral

Usamos a identificação Superior Geral para aquele que foi eleito na Assembleia Capitular. Em que consiste o ofício? Ele exercerá o serviço de governo auxiliado por um conselho de 4 membros. Será o representante da instituição em todos os foros (eclesiais e civis). A grande missão sua será a de animação espiritual e vocacional dos membros que compõem a Congregação.

Como eleito que fui me coloco para além de uma autoridade constituída, um irmão entre os outros que vai assumir a tarefa de ser presença na vida dos demais, procurar ajudá-los, animá-los na vocação de consagrados, estimulá-los em seus trabalhos e caminhar junto de todos, com cada um em seu posto, em sua necessidade e em sua demanda mediante o grande serviço de evangelização dos povos a se prestar no Reino de Deus pela mediação da Igreja e da Congregação.

Como serviço me apoio no mandato apostólico quando Jesus ensinava aos discípulo que qualquer autoridade no Reino de Deus é o “servir”. O Capítulo 13 de do Evangelho de São João (no lava-pés) é a indicatória  do que o Mestre queria de seus discípulos. Em Mateus Jesus ensinava aos seus que “Os governadores das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos. (Mt 20,25-28).

Além disto o hino cristológico contido na carta de Paulo (Fl 2,5-8)  nos diz: “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”  (Fl 2,5-8).

Este será para mim o marco, ou seja, o referencial no serviço de animação da Congregação. Em qualquer lugar, em quaisquer circunstâncias, procurarei, atento aos apelos do Povo de Deus, na Igreja, facilitar e agilizar as demandas dos vários serviços a serem prestados.

Minha preocupação maior e principal será a de ser presença junto a meus irmãos a mim confiados  para que vivam bem sua vocação, estejam com saúde (física e espiritual) suficiente para atender bem a todos, bem conscientes da grande missão e do principal mandamento: amar e servir, servir e amar.

Inicio o mandato no Ano Nacional do Laicato (Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino. Sal da terra e luz do mundo, Mt 5,13-14). Se uma congregação religiosa se preocupa em servir, e servir bem, com certeza levará seu animador a intensificar seus propósitos e atitudes para facilitar este apelo atual de Jesus Cristo na vida da Igreja.

Partindo de nossa realidade, do quadro de missionários à disposição, das frentes missionárias que temos, dos meios disponíveis e do ardor missionário que nos impregna na ação evangelizadora da Igreja, procurarei ser fiel ao Plano Operacional 2018-2021 votado na XVI Capítulo Geral que elegeu, dentre outras, como uma das prioridades a MISSÃO, favorecendo encontros, retiros de animação missionária para a Congregação e para as nossas lideranças leigas.

Procurarei não me descuidar da espiritualidade que alimenta o Missionário Sacramentino fundamentada no tripé: Eucaristia, Maria e Missão. São nossas fontes de inspiração, de ardor e de esperança. Nosso fundador, o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, será sem dúvida o ícone de nosso trabalho e de dedicação à vida consagrada e à vida missionária.

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