PE. JÚLIO MARIA E O JUBILEU DO BOM JESUS DE MANHUMIRIM

Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN

O Jubileu do Bom Jesus lembra a religiosidade popular na Igreja. O Papa Francisco nos oferece um valioso pensamento sobre este tema: A “religiosidade popular é uma forma genuína de evangelização, que precisa ser cada vez mais promovida e valorizada, sem minimizar a sua importância. Nos santuários, de fato, a nossa gente vive a sua profunda espiritualidade, aquela piedade que durante séculos moldou a fé com devoções simples, mas muito significativas” [Audiência na Sala Paulo VI do Vaticano, com cerca de 3 mil participantes, no Jubileu dos Operadores de Peregrinações e Reitores de Santuários, no dia 21 de janeiro de 2016]

O Jubileu em Manhumirim-MG é uma festa que expressa bem a religiosidade popular do nosso povo. Desde as suas origens foi um tempo de evangelização, de profunda espiritualidade que alimentou e ainda alimenta a vida de tantas pessoas. São oito dias em que parece que o céu se estabeleceu nas montanhas do Bom Jesus do Pirapitinga, o ritmo da cidade muda, tudo respira a espiritualidade do Jubileu, são sete celebrações eucarísticas diárias, confissões durante o dia todo, romeiros que chegam de perto ou de longe, gente que entra no santuário de joelhos no chão agradecendo a Deus por seus pedidos serem atendidos, outros que ficam emocionados nas celebrações, tocam a imagem do Bom Jesus com toda veneração, deixam seus ex-votos e voltam para suas casas animadas com a certeza de que será abençoada pelo Bom Jesus.

Quando o Pe. Júlio Maria chegou a Manhumirim o Jubileu do Bom Jesus já acontecia há onze anos. Às vezes o confundimos como o fundador desta festa, uma vez que as grandes construções desta cidade foram edificadas por este santo homem. Ele certamente já conhecia o sentido desta festa religiosa e cuidou em prepará-la bem a cada ano, pois sabia ser um tempo forte de evangelização, de alta experiência com Deus e de cultivo da fé.

A história do Jubileu do Bom Jesus de Manhumirim tem tudo a haver com a presença carismática do seu líder espiritual, o servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde. Durante 16 anos, ele foi o grande gestor, divulgador e mestre espiritual deste Jubileu. É entusiasmante revisitar as páginas do Jornal o Lutador de 1928 a 1944, nos meses de agosto e de setembro, o velho missionário divulgava a programação do jubileu e depois partilhava com os leitores do jornal “O Lutador” os frutos do Jubileu colhido a cada ano.

Abrindo o baú da história de quase 90 anos do Jornal “O Lutador” encontramos três marcas do Jubileu do Bom Jesus em Manhumirim segundo o servo de Deus. Vejamos:

O Santuário do Bom Jesus

A Igreja Matriz no tempo Pe. Júlio Maria já poderia ser chamado de Santuário, por causa da piedade dos fiéis a figura do Bom Jesus, das romarias que chegavam à cidade para escutar a Palavra de Deus, fazerem retiros espirituais, se confessarem e o crescimento nas comunhões eucarísticas a cada ano. A partir desta realidade o Pe. Júlio Maria elevava nossa igreja matriz à categoria de Santuário: “É o Bom Jesus de todos, sem dúvida, porém ele mostra visivelmente que quer ser honrado de modo especial em seu santuário, uma futura e gloriosa da fé e da misericórdia. Manhumirim está fadada a tornar-se um centro de graças e benefícios derramados sobre o mundo, pelo seu glorioso padroeiro: o Bom Jesus. Recorramos, pois a Ele. Vamos visitá-lo! Implorá-lo! Com confiança nossa prece será por Ele atendida” [Jornal O Lutador 22/09/1929, n. 44].

O Jubileu é tempo forte de espiritualidade

Assim exortava o servo de Deus: “Está se aproximando o Jubileu do Bom Jesus de Manhumirim. É a grande festa dos católicos desta região, festa que atrai ao Santuário do Bom Jesus uma imensa multidão de fiéis dos municípios vizinhos. De ano a ano, o Jubileu vai suscitando mais entusiasmo e despertando vida cristã mais intensa e mais decidida. Manhumirim, durante estes dias abençoados, torna-se um centro de irresistível atração onde se reúnem todas as almas boas e devotas, vindo ali agradecerão ao Bom Jesus os números benefícios recebidos” [Jornal O Lutador 28/08/1932, n. 187].

Jubileu, tempo de retiro e de confissão

Na programação do Jubileu de 1934 o Pe. Júlio Maria deixava claro que naquele ano o Jubileu seria um tempo de deserto, um grande retiro espiritual: “Haverá diariamente instruções de manhã, na missa das 06:30 e a noite às 7h. Haverá durante os 5 primeiros dias o retiro especial da Irmandade do Coração de Jesus, havendo para as associadas uma conferência às 4h da tarde. Durante o dia a imagem do Bom Jesus ficará exposta á veneração dos devotos , em quantos os missionários ficam á disposição dos fiéis que quiserem confessar-se. O Jubileu deste ano será pois  ao mesmo tempo uma missão espiritual e um retiro para as irmandades” [Jornal O Lutador 19/08/1934, n. 86].

Ao longo destes anos, o Jubileu do Bom Jesus em Manhumirim continua com este mesmo espírito. È sem dúvida a maior festa religiosa católica da nossa região. Graças a tantos sacerdotes, leigos e leigos, que preparam nossa festa com todo carinho para todos os devotos do Bom Jesus. Se você conhece ou não este Jubileu venha nos visitar e se encontrar com o Bom Jesus que está sempre de braços aberto para nos acolher e nos dar suas bênçãos.

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