Continuar a missão de Jesus

22 de julho de 2015

Ir. Denilson Mariano, SDN

tiberiade_lago_gesu_con_i_pescatori_illustrazione_di_duccio_di_buoninsegna_01Em geral, herança é algo muito querido, até cobiçado, no caso de herança financeira ou patrimonial. Existe também a herança simbólica, a herança espiritual que tem um valor inestimável, um valor que dinheiro não compra. Neste sentido podemos dizer que a missão é herança que o Senhor nos deixou. A vida de Jesus, o que Ele fez e ensinou, ou seja, sua missão converte-se, para nós cristãos, na nossa grande herança.

Podemos ver isso nos Evangelhos, sobretudo no de João, que busca o sentido mais profundo dos acontecimentos. A ressurreição, “no primeiro dia da semana” [20,1], inaugura uma “terceira semana”, que tem início, mas que não tem fim. A ressurreição não é simplesmente uma “superação” da morte. Ela é uma realidade, uma manifestação do amor absoluto de Deus e que assume também o sofrimento e a morte. É por isto que em muitas de suas aparições, Jesus se apresenta chagado, com as feridas dos cravos e da lança. Porque estas feridas fazem parte da história de Jesus – e também da nossa.

O capítulo 20 de João pode ser interpretado como uma catequese sobre a ressurreição de Jesus. O Discípulo Amado vê o sudário e crê que Jesus ressuscitou (sem vê-lo fisicamente); – Maria Madalena Jesus, mas só o reconhece ao ouvi-lo chamando-a pelo nome; – os discípulos reunidos veem e creem; – Tomé só vem a crer após ver e tocar Jesus. E o capítulo termina com um quinto exemplo: o dos que creram sem ter visto.

Nos evangelhos sinóticos, a escolha e o envio dos Doze acontece no início do ministério de Jesus. Em João, o envio dos apóstolos acontece no dia da ressurreição. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” [20,21]. Os apóstolos são enviados na mesma missão com Jesus; eles dão continuidade à obra da salvação iniciada por seu Mestre. E o Livro da Glória se encerra com a mais alta proclamação de fé de todo o evangelho, dada por alguém que antes duvidara. Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” [20,28]. E Jesus encerra declarando: “Bem-aventurados os que não viram e creram!” [20,29] – isto é, todos nós.

Pedro negou Jesus três vezes; também por três vezes Jesus pergunta a Pedro: “Tu me amas?” [21,15-19]. Mas Jesus não para aí. Para Jesus, não deve haver diferença entre amá-lo e amar a Igreja. Jesus está dizendo a Pedro: “Se me amas, dá tua vida à Igreja”. A comunidade cristã estava preocupada, ao ver não somente os apóstolos, mas as últimas testemunhas oculares da ressurreição de Jesus, morrerem. Era uma crença comum na época [cf. Mt 10,23; 1Ts 4,15-17, etc.], que Jesus voltaria em breve para levar os seus para o reino de seu Pai.

Vamos agora fazer a nossa leitura orante. Procure silenciar-se interna e externamente, e com a Bíblia nas mãos leia com calma e atenção: João 21,15-19. Para ajudar segue uma chave de leitura para o texto:

1. O que Jesus pergunta a Pedro e o que ele responde?

2. Qual é a missão que Jesus confia a Pedro?

3. Quem é Pedro, hoje, e qual a missão que Jesus lhe confia?

4. O que significa, hoje, dar a vida pela Igreja?

Colocando-se diante do Senhor, reze a sua capacidade de doação à missão. Procure colocar-se no lugar de Pedro, ouça o Senhor lhe perguntar: “Tu me amas?”. Que resposta você tem para o Senhor? Procure meios e força espiritual para abraçar essa herança missionária deixada por Jesus. Procure ver em que você pode se engajar para melhor realizar essa missão que o Senhor lhe confiou.

Por fim, eleve a Deus suas preces, seus agradecimentos e a oferenda de sua vida. Tenha certeza de que o Senhor o ama e quer a sua felicidade, por isso confia a você o cuidado do rebanho, essa parcela da Igreja à qual você faz parte.

 

11015807_959537904058932_4583970478350977966_n