SER MISSIONÁRIO SACRAMENTINO É SER IRMÃO

Ir. Dione Afonso, SDN
dafonsohp@outlook.com 

Fundada em 1929, a Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora desponta-se no horizonte do Brasil com o ideal de uma vida simples e pautada no Evangelho afim de anunciar e fazer acontecer o Reino de Deus entro o povo, sobretudo dos excluídos do convívio social. A primeira congregação masculina nascida no Brasil foi fundada pelo missionário belga, o Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde. Seu carisma missionário carrega a tríade Maria-Eucaristia-Missão: em Maria encontramos o exemplo de discípula que vai ao encontro do mais frágil; na Eucaristia, o sustento, o Pão da comunhão que nos une a Cristo e nos leva ao encontro do próximo e a missão é a concretude de “eucaristizar o mundo no jeito de Maria”.

Em Adão, o Novo Homem

No dia 15 de outubro de 2019, numa região nobre de Fortaleza-CE um prédio de sete andares desabou deixando mais de 10 pessoas presas nos escombros. Essa triste notícia nos leva a fazer um questionamento importante nessa reflexão: por que um prédio de sete andares desaba? A resposta é lógica: descuidou-se do fundamento! Com certeza a perícia iria investigar as causas da fatalidade estudando a estrutura base da construção. Em nossa vida o fundamento é humano e o ser humano é feito de sentimentos, sensações, imaginação, sabedoria, desejos, paixões… No fundamento também está a fé e sua lógica baseada no encarnar de Deus em Jesus.

Ora, Deus se encarnou. O humano para nós não é apenas algo para apenas suportar. É caminho. Não podemos pular direto para o ser espiritual. Vamos olhar antes o fundamento. Na Palavra de Deus em Gênesis 2, no mito da Criação, temos a realidade acessível da experiência humana. Nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura, Deus faz Adão. O ser humano em sua nudez essencial. O Adão é frágil em seu fundamento. Adão vem de adamá, a terra, “eis o terroso, o feito de terra, o argiloso”, mas com um sopro divino sobre nós.

Olhemos para o nosso fundamento: em Adão, somos o Novo Homem. Somos feitos de terra, somos terrosos, somos nascidos do barro, do fundamento. E, como qualquer outro barro, a fragilidade está também em nós. Temos as cicatrizes, rachaduras, podemos quebrar, como um prédio, necessitamos de uma pequena reforma de vez em quando, temos que cuidar das nossas sensações e sentimentos, das nossas paixões e desejos. E ainda, quando um prédio desaba, ele abala as estruturas também da vizinhança, assim como no livro de Gênesis a terra, a água, a árvore, o ar estão interligados. O terroso é chamado a cultivar o jardim e a proteger a árvore da vida, do conhecimento. E, juntos, somos interligados.

Somos plenamente humanos

Somos humanos, plenamente humanos. “No sexto dia Deus criou o homem, à imagem de Deus ele os criou, homem e mulher. E viu que tudo era bom” [cf. Gn 1, 27-31]. O Adão que chega, que é criado, chama-nos a cuidar da vocação. “Eu tenho um sopro de vida em mim”. “Deus formou o ser humano com o barro, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida e ele tornou-se um ser vivente” [Gn 2, 1]. Nós temos medo de olhar para a nossa terra. Porque nela eu encontro o meu pior, o meu terror, o que está quebrado em mim. Mas Deus nos dá um sopro de vida, e, n’Ele somos sempre um Novo Homem.

Nós, Religiosos Irmãos, temos a vocação à Vida Consagrada com o simples ser humano que somos. Com um olhar diferente da vocação sacerdotal, somos convidados a continuar num caminho de simplicidade em nossa vida. É frustrante quando encontramos religiosos que depois de toda a vida, antes de morrer, buscam o sacramento da Ordem para se realizar. O veneno do clericalismo nos destrói. Ser irmão é ser simples, serviçal, humano, é ser missionário, educador, Irmão… é ser graça, nunca limitação.

A Vida Religiosa, em seu início, começou 100% laical com os padres no deserto. Não havia o sacerdócio e o sacramento da Ordem, nem a instituição e organização clerical. Com o tempo e o passar dos anos, bem como o desenvolvimento social e humano, as coisas foram mudando. E foram mudanças necessárias para que se desse conta de atender aos anseios do Povo de Deus. Hoje, precisamos encontrar de novo esse equilíbrio fraterno. Sobretudo o equilíbrio essencial entre rezar e trabalhar, estudar e dormir, comer e rezar, viver em comunidade e cultivar a vida espiritual e pessoal… Se não voltarmos para o essencial vamos continuar nossa corrida frenética em busca do que se perdeu: hoje corremos desesperadamente para os SPAs, hidromassagens, academias, centros de pilates, tudo em busca de um equilíbrio que se perdeu no caminho. Nessa corrida os Religiosos Ordenados correm o risco de serem engolidos pela estrutura clerical, paroquial, administrativa e que os afastam de sua opção original da VRC.

Depois do humor o amor nos ajuda a pensar e rezar. Quando Francisco é questionado por um jornalista o porquê que ele escolheu viver em Santa Marta e não no seu palácio pontifício, Francisco disse que sua decisão tem “motivos psiquiátricos”. Em outras palavras, Francisco é um Religioso Consagrado e ele é chamado a viver em comunidade.

 

A Chama Olímpica da VRC

Precisamos assumir que sabemos andar, mesmo quebrados, mas, porque somos humanos e carregamos em nós um sopro de vida. Assumir nossa fragilidade e nossa humanidade. Não ter medo de nos integrar em nossa individuação. Reconhecer o sopro de vida que carregamos. Ser plenamente humano é passar do ego para o si mesmo. Descobrir onde estamos e quais as nossas raízes. Não tirar os pés do chão, mas integrar-se nele.

A chama olímpica é feita, pela tradição, para ser passada para os outros. E não para que nos coloquemos na corrida, fatigados, cansados e velhos. É preciso acreditar e estimular as Novas Gerações que chegam e estão cheios de energia para assumir a tocha olímpica e passar pra frente. Mas, o que que acontece? O jovem religioso, cheio de vontade e pronto, toma a tocha do velho irmão e começa a correr, a correr freneticamente, depois, perdido e desorientado, ele para e vira-se para trás e pergunta, “para onde mesmo que é pra ir? É preciso, na maturidade da Vida Religiosa confiar e apostar nas Novas Gerações, nos jovens que querem fazer parte do nosso time e passar a tocha para eles, apontando a direção que deve, não, correr, mas caminhar. É preciso entregar a eles a chama dos jogos olímpicos e deixar que levem para frente a tocha da vocação religiosa.

“Eu não sou o que aconteceu comigo. Eu sou o que eu faço com o que aconteceu comigo” [Victor Frank] e, pra isso a psicologia de Gestalt nos esclarece alguns passos essenciais na construção de ser plenamente humanos:

1]. SOU SER DE RELAÇÃO: “eu me relaciono, portanto, eu sou”. Nas relações eu sou um humano. Não sou Mogli, uma criança-lobo. Temos que ter cuidado com os “Moglis” da VRC. Ficar trancados no quarto, ou atrás de uma mesa de escritório cuidando das finanças da Congregação e recusar nosso ser humano plenamente. Quanto mais aturamos e aprendemos a conviver com nossos irmãos, com as mulheres, com as novas gerações, com os estudantes, com os idosos, com as crianças, mais quebrado eu fico, e mais humano me torno. E aí vamos nos aproximando da plenitude humana. A raiz da pedofilia não é um desvio definitivamente psicológico sexual. O que está na raiz da pedofilia é o desejo de exercer um poder absoluto sobre outra pessoa. O poder nos mata quando não nos relacionamos. Em 95% dos casos de pedofilia, o predador é um homem. Na personalidade feminina, o impulso materno é mais forte que o sexual. Integrar o feminino no masculino, você se garante e se preserva dessa tentação de abusar sexualmente do irmão ou da irmã. Precisamos cultivar em nós essa maturidade de cuidar do frágil e não tirar proveito dele.

2]. SER ESPAÇO-TEMPORAL, SOMOS SERES SITUADOS: é o campo vital da pessoa. Para o ser humano, nada se concretiza sem que tenhamos noção do lugar, do tempo e do espaço. Papa Francisco tem como um de seus princípios “o  processo no tempo é mais importante do que o lugar”. Manter a Casa-Mãe é iniciar um processo que nos lança para o futuro. E se o superior quer transferir eu mando o povo fazer abaixo-assinado. E se eu me amarro no lugar eu começo a apodrecer, porque a terra tem que ser mexida constantemente. Somos seres terrosos. Somos terra que anda, que se movimenta, que deve ser cortada constantemente para que seja sempre viva e fértil. De cinco anos pra cá surgiu uma nova forma de Vida Religiosa: a “minha zona de conforto”. O problema é, ao invés de reconhecer seus limites, limita-se no seu mundinho, na sua terrinha… Esse Religioso já morreu, sua terra está podre porque ali se enterrou. A Casa-Mãe tornou-se cemitério, porque não produz mais. O voto de obediência é o voto de escutar e discernir o que Deus quer de nós. A raiz da obediência é escutar o coração do outro para caminhar melhor. Mandar quem pode e obedecer quem tem juízo não é profético e nem é o caminho da VRC.

3]. SOMOS SERES QUE EVOLUI: avançar para uma versão nova de si. Hoje o Windows 8 é melhor que o Windows 7. Nós nos damos a permissão, não de mudar quem somos, mas de evoluir o que temos de melhor e avançar onde não somos tão bons assim. O primeiro nos amadurece, o segundo nos estagna ou nos regride. Os votos não são pra criar pessoas frustradas. São para criar amostras humanas grátis que revelam valores que nunca passam: a simplicidade, a disponibilidade, a humildade, a generosidade, a fraternidade… Eu faço votos porque eu escolhi ser unifocal, meu foco é somente o Reino. Quando somos multifocais, nós nos perdemos, não estamos evoluindo, mas estamos mudando o que somos. Podemos ser multitarefas, mas nunca multifocais… Voltando à metáfora dos Jogos Olímpicos, a mitologia da fênix é um ser que sempre se evolui, ela sempre renasce, mas nunca muda o que ela é.

4]. SOMOS SERES CRIATIVOS: uma pessoa deixa de ser criativa porque ela tem medo. Perdeu a liberdade e não assume responsabilidades. Reconheço meu limite, mas permito-me recriar a VRC e ouso no meu Projeto Pessoal de Vida. Nem que seja nas pequenas mudanças eu exerço a liberdade de me responsabilizar onde estou e onde trabalho. Na criatividade eu consigo resolver pequenos problemas, eu cresço e me reinvento. Não deixo que o medo me pare. Exploro as áreas saudáveis em mim e reconheço as áreas frágeis que carrego. E assim, eu caminho pra frente.

5]. SOMOS SERES DE MISTÉRIO: nem tudo está dito. Carregamos o sopro de vida em nós. Mas isso não esclarece tudo em nós. Somos complexos também, porque somos mistério. Mistério divino e humano. Àquilo que não entendo, sou convidado a abraçar e rezar. A doença, os conflitos, a dor, as contradições, a fé pessoal, uma complexidade que é para nós, mistério. Mistério não porque está escondido, mas porque faz parte de nós e nos faz ser algo mais do que o que vemos diante do espelho.

6]. SOMOS SERES PARA A MORTE: como lido com a ansiedade da finitude? Se andamos, avançamos ou se nos apegamos, agarramo-nos a coisas, lugares…? A morte não deve ser vista como peso, fardo, frustração, mas como completude, caminho, despojamento. Uma forte crise na Vida Religiosa está também presente entre a faixa etária da velhice, porque muitos se veem como inúteis e já mortos, mas se esquecem que na vossa terra há um jardim muito bem regado, cuidado, florido e cheio de vida. Ver nesse jardim, o sopro de vida que ainda habita em cada um é essencial. Desse jardim, muitas experiências de vida são contadas para as Novas Gerações e as sementes que os jovens vão semear em vossa terra é cultivada desse jardim rico de experiências. São as sementes dos velhos que garantirá os novos jardins da Vida Religiosa.

O humano começa onde os nossos pés pisam. “Onde pisam os pés, a cabeça pensa e o coração ama. Ama o coração, pensa a cabeça e os nossos pés pisam neste chão”. Plenamente humano, primeiro passo, início de uma dimensão humana, afetiva, emocional, relacional. Já paramos para verificar a solidez humana de nossa vocação? É possível tornar-se irmão, viver a vida consagrada como irmão sem se infantilizar? Ou somos pessoas atrofiadas por conta de nossa opção de vida? Somos pessoas que temos possibilidades de tornar-se plenamente humanos ou somos pessoas tortas e velhas, atrofiadas e chatas?

 

Somos simplesmente irmãos

Faremos agora a travessia para a espiritualidade. O plenamente humano que se tornará simplesmente irmão. E um irmão de espiritualidade. Para nós, qual é a imagem de Deus? É um Deus que sobe, ou um Deus que desce? Paulo diz que, Ele, de “condição divina, não se apegou à sua condição”, mas se fez terroso, se fez barroso, “se fez humano e um humano de cruz” [cf. Fl 2, 7-8]. Devemos acreditar num Deus que desce para se fazer nosso irmão. A identidade de irmão não é uma identidade voltada para si. Quando afirmamos que somos irmãos, nos perguntam, você é irmão de quem? O que é ser irmão? Irmão onde? Irmão pra que? Vejamos Santa Dulce, ela é chamada de que? Santa Dulce dos Pobres. E nós? Irmãos? Somos irmãos de quem? Temos que ter essa pergunta muito bem clara para nós. E uma resposta concreta.

Somos simplesmente irmãos, com Maria, “peregrina na fé” [LG, 58], caminhando junto com a gente. Do nosso lado. Ela nos convida a viver marianamente a travessia para a simplicidade. E essa é uma travessia que nos faz descer. E desce para a simplicidade, para onde estão aqueles que precisam de nós, aqueles os quais devemos chamar de irmãos.

A nossa meta não é ser feliz na Vida Religiosa. Como humanos, precisamos analisar o nosso horizonte de possibilidades onde a felicidade está em algo mais. A felicidade não é conjugada na primeira pessoa do singular. Esse é novamente o veneno do autorreferencial. Mas ser feliz perpassa pelo encontro com as pessoas, perpassa pelas relações comunitárias e sociais, através da felicidade daqueles que nos faz irmãos, eu me completo em minha alegria.

Por isso, voltamos ao caminho da simplicidade. Porque, como humanos, somos complicados e, como irmãos, precisamos descomplicar e nos tornar simples. E o modelo de caminho, encontramos em Maria.

Ser simples não é ser simplório, nem ingênuo e nem retardado. Se você é chamado de “só irmão”, o que foi que aconteceu com você em seu processo humano? Isso dói e cria em nós complexos de inferioridade em que tentamos disfarçar na competitividade do sucesso e do mercado de trabalho. Ou, por outro lado, internalizamos isso e nos tornamos obedientes, encurvados, submissos… isso não é ser irmão.

 

O perigo da síndrome de “Alice”

Esse caminho nos alerta para o perigo da autorreferencialidade. Antes nós tirávamos fotos dos outros, do grupo, dos amigos, hoje, nós tiramos fotos de nós mesmos. A selfie. Na mitologia grega, Narciso era apaixonado por sua própria beleza e, ludibriado pela beleza refletida ficou aprisionado na idade do espelho. Vivemos a síndrome de “Alice”, que, preferimos atravessar o espelho e viver no País das Maravilhas, porque lá nós somos a imagem que construímos para nós com os filtros e a arte do rejuvenescimento que eu coloco no perfil de minhas Redes Sociais. Mas o espelho nos questiona: ele nos pergunta “quem sou eu? A selfie é o novo Narciso de hoje. Tornar-se plenamente humano é nos questionar quem eu sou, para que e para quem.

Hoje, ser irmão é sinônimo de “mão-de-obra barata”, aquele que gerencia as obras sociais, gerencia a despensa, cuida da administração, do economato, torna-se exemplos de profissionais e não tem gastos mensais, não precisa de salário. Essas são caricaturas ainda presentes em nosso século.

Só é vítima quem se faz de vítima. Não são nossos irmãos sacerdotes que nos matam. Somos nós que não sabemos e não temos consciência plena de nossa vocação. Pra que viemos e para quem viemos? Em nome do clericalismo nos entregamos ao exercício do poder, onde tenho autoridade. O clericalismo mais perigoso não é o dos sacerdotes, mas o nosso, aquele que está entre os Irmãos Religiosos, que consiste em reproduzir as mesmas relações de poder e de submissão entre nós. Alimentamos dentro de nós esse monstro do clericalismo e nos afastamos de nossos irmãos pobres e simples. Nos afastamos dos nossos irmãos de comunidade e falamos mal dos nossos irmãos sacerdotes, culpando-os desse mal. Sinal de clericalismo, mais do que ser submisso ao padre, é sentir raiva dele que, no fundo, revela um desejo incubado de fazer o mesmo com a vocação e com as relações.

 

Na travessia, Maria nos conduz

Nossa simplicidade está no evangelho. Essa simplicidade não está nas havaianas que usamos e nem na ação de dormir ao lado do morador de rua. A simplicidade evangelizadora não começa nas vestes, ela, como o pombo do evangelho, voa em linha reta. Ser simples é ser um irmão que voa sempre em linha reta. Nada me desvia do meu horizonte de sentido. Maria vai nos ensinar a voar em linha reta. A pessoa simples tem uma meta. Não se perde de seu foco. Hoje nos perdemos na complexidade de expressões do muno de hoje. Quem me tirou de mim?

Maria nos ensina a fazer a travessia de mãe para discípula. Em Caná da Galileia há uma mudança essencial em Maria. Ela, entra como uma grande Mãe e sai como uma pequena discípula, ela desce. Faz o caminho da simplicidade. Maria, como Mãe, abre as portas para o Filho e para os amigos do Filho. Lá ela empodera Jesus. Ele, desce para Cafarnaum e inicia sua vida pública. Com Ele desce sua Mãe. Na festa ela é convidada, entra primeiro e abre as portas, depois, é Jesus quem entra primeiro e abre as portas para Maria, e as portas que Ele abre, são as portas da missão, da vida do sEu apostolado. Agora Maria se torna a discípula do Mestre. Essa foi a travessia de Maria, uma travessia de descida.

Maria não tira selfies. Ela não é autorreferencial. Dos 12 versículos de seu Magnificat, dois são voltados para ela, os outros dez versículos são sobre seu povo.

 

Considerações finais

Concluímos este trabalho nascido e refletido do V Seminário Nacional de Religiosos Irmãos celebrado em Fortaleza entre os dias 17 a 20 de outubro 2019. Este artigo recolhe pontos essenciais levantados pela Ir. Annette Havenne, ISM que conduziu as reflexões deste encontro. Nas considerações finais levantamos cinco travessias que nos ajudaria a reconhecer com clareza nossa vocação de Religioso Irmão:

  1. Da Instituição para o ser irmão do Carisma [Congregação] – vamos nos reportar para a nossa família religiosa como Congregação e não como Instituição. O ser de Congregação valoriza o carisma, o se identificar como Religioso de um Instituto valoriza o dinheiro. Então, somos Religiosos Irmãos de um carisma, somos carismáticos, isso nos confere uma identidade mais fundacional. Não somos pessoas instituídas, somos pessoas carismáticas, não pertencemos a um “instituto”, mas a uma “congregação”;
  2. Do plenamente humano para o ser simplesmente Irmão [ser irmão? Irmão com quem? Irmão para quem?] – somos irmãos porque somos humanos, e, humanos na completude. Somos irmãos, simplesmente irmãos e somos irmãos para alguém, nos consagramos para o serviço, parar servir alguém;
  3. Da autorreferencialidade para o ser irmão dos pobres – isso completa a travessia anterior. Dá continuidade porque nos identifica com a nossa opção e apostolado. Onde estou? Sou Irmão com quem, de fato, necessita da minha presença fraterna?;
  4. Do clericalismo para o ser irmão dos sacerdotes – nessa travessia é preciso sair do julgamento para a vivência. Nossos irmãos sacerdotes também precisam lembrar que são chamados a serem simplesmente irmãos, porque são plenamente humanos. O exercício da fraternidade é de todos;
  5. Da vida de comunidade para o ser irmão da comunidade de vida – aqui a diferença está numa vida pautada no levar uma “vida de comunidade”, obedecer horários, escala de trabalhos, ordem das orações na capela, limpar a casa, lavar a louça, organizar o quintal… e passar para uma vida baseada numa vivência de “comunidade de vida”, no qual vivemos como irmãos na liberdade. O cumprir horários não terá sentido se não for feito na liberdade e na fraternidade. Na vivência e partilha dos dons e serviços.

O irmão é o coração do carisma. Que nós, Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora saibamos reconhecer e vivenciar o valor da fraternidade. Um valor bastante caro para a nossa sociedade hoje e a cada dia mais escasso. Para isso é necessário viver a plenitude humana e a simplicidade da vocação. Que Maria, Mãe da Eucaristia torne-se exemplo e testemunho vivo em nossas relações interpessoais, que saibamos ser, de fato, mais irmãos e próximos uns dos outros. Amém!

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