Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde

O bom senso, a teologia e a piedade proclamam a união necessária entre Jesus e Maria, no grande Sacramento do amor. Mas não basta conhecer o fato, é preciso determinar-lhe exatamente o valor doutrinal.

A Igreja aprovou a invocação: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, rogai por nós. É um passo decisivo! Falta ainda estudar e determinar teologicamente a extensão dogmática dessa invocação.

Por que esta invocação? Terá ela aplicação prática nas necessidades da nossa época, nas exigências das almas e da sociedade? – Perfeitamente!

Maria Santíssima, como introdutora de Jesus no mundo, preparou as almas para que o seu divino Filho pudesse reinar nelas como Mestre absoluto. Hoje, a comunhão frequente é uma realidade. É a força viva da Igreja, no meio das lutas da hora presente.

Mas não basta comungar, é preciso comungar bem. Se toda comunhão é uma consolação para o Coração Jesus, nem sempre ela é uma força para nós.

A comunhão é um alimento. Deus suscitou o apetite deste alimento. É preciso ainda assimilá-lo. A alimentação vale tanto quando há assimilação.

A comunhão é sempre santa, divina, em si mesma, mas para que seja proveitosa, é preciso preparação e ação de graças da nossa parte. A Igreja nos ensina, sem dúvida, como devemos fazer isso. Porém, o adágio popular é conhecido: “as palavras movem, mas os exemplos arrastam”. Precisamos de um modelo. E para coisa tão sublime, não bastava um exemplo qualquer.

Era mister um exemplo, um modelo tão alto, que pudesse atrair as almas; tão suave, que ninguém ficasse com receio; tão popular, que todos pudessem compreendê-lo; tão irresistível, que vencesse todas as oposições.

E este exemplo, nimbado de ternura, de amor, de maternal condescendência, cheio de misericórdia, de irresistível atrativo, é a Virgem Santíssima – a Mãe de Jesus, que é também a nossa Mãe.

Ei-la que aparece, bela, radiante, com o Menino Jesus nos braços, e Ele, igualmente sorridente, apresenta-nos em sua mãozinha acariciante o cálice e a hóstia sagrada. De seus lábios divinos, e aqui ternamente infantis, caem estas palavras que os séculos repetem, mas não compreendem bastante: “Vinde a mim, vós todos que trabalhais e estais fatigados, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

E olhando para a hóstia sagrada, a Virgem Santa, numa adoração muda e como que extática, apresenta ao mundo seu Jesus, invisivelmente presente na hóstia adorável, pedindo a todos que venham com ela, e por ela, adorá-lo, e como ela, recebe-lo na Comunhão sagrada. “Comei o Pão divino e bebei o Vinho celeste que eu preparei em minhas entranhas, para a salvação do mundo”.

Espetáculo divino… Convite irresistível. E foi nessa hora que o Espírito Santo pôs nos lábios de um santo, depois de ter infundido em seu coração, este brado de amor que se deverá repercutir até o fim dos tempos: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e modelo dos adoradores, rogai por nós que recorremos a vós!

E à vista desta nova estrela que ia aureolar a fronte da Imaculada, inclinaram-se os anjos e saudaram em coro a sua Rainha, a Mãe deste Deus que está glorioso no céu, e escondido nos Tabernáculos da terra.

Maria é a Senhora da Encarnação, ela deve ser também a Senhora da extensão da Encarnação que é a Eucaristia.

Aqui está o exemplo, o modelo perfeito, suave, atraente, que os homens devem imitar e reproduzir, para se tornarem dignos adoradores da divina Eucaristia, e dignos receptáculos da Hóstia sagrada, pela Comunhão.

Este título é a expressão de uma verdade absolutamente necessária em nossos dias, e admiravelmente adaptada às necessidades da época. Há de ser a grande devoção destes tempos, a devoção fecunda que atrairá as almas aos pés do Tabernáculo e inspirar-lhes-á o amor da Sagrada Eucaristia.

Maria Santíssima não pode ser separada de seu Filho, e ela deve ser hoje a Senhora da Eucaristia, como outrora foi a Senhora do Presépio e do Calvário. Ela está, pois, ali perto do Tabernáculo, unida a seu Filho pelo laço do sangue, do amor e das funções divinas que deve exercer perto dele.

Não basta ver o Tabernáculo, ver a sua glória, o seu brilho. É preciso participar dele, viver dele; em outros termos, é preciso entrar em contato com Jesus sacramentado. Ora, Maria Santíssima é a Introdutora da Eucaristia, como ela é a distribuidora de suas graças.

São suas duas grandes funções. Introduzir-nos aos pés de Jesus, aproximar-nos dele, fazer-nos compreender, não o mistério, mas o senso da Eucaristia. E depois de ter aberto a porta do Tabernáculo para mostrar-nos o seu Jesus, ela deve abrir os nossos corações para que Jesus possa entrar neles.

[Fonte: Maria e a Eucaristia. Manhumirim-MG: O Lutador, 1937. O presente texto foi integralmente copiado do livro, tomando alguns trechos da Introdução e alguns trechos do Capítulo II. Os negritos são do autor. Uma correção ortográfica foi feita de acordo com as normas atuais.]

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