Pe. Robson Teixeira Campos, SDN

Pe. José Raimundo da Costa, SDN

Superior Geral dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora

(Homilia da missa de corpo presente na Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho, na manhã de 27 de abril de 2018).

Morte-ressureição

Que dificuldade quando encaramos a morte!

O que dizer diante de um corpo desfalecido do sacerdote que passou a existência toda pregando a VIDA.

A dificuldade dos Apóstolos, no início: como falar do Deus da Vida que morrera crucificado?

O que dizer para judeus e simpatizantes?

A Ressurreição é o fundamento!

Ele não está mais aqui!

Ele está vivo…

Ele ressuscitou!

Assim olhamos novamente para o esquife que acolhe o corpo do Pe. Robson e acreditamos naquilo que ele próprio acreditou e viveu: a ressurreição …  a VIDA!

***

Ap 21

Hoje, no céu, uma nova vida – uma nova liturgia.

– um novo céu, uma nova terra. A Jerusalém celeste – Cidade Santa

Deus mesmo estará com eles – enxugará suas lágrimas – não haverá morte – nem luto – nem grito – nem dor…

Pe. Robson viveu nos últimos tempos, nos últimos dias sua paixão sem expressar uma “ai”, nem um gemido, nem um clamor.

No seu dicionário não havia o termo DOR.

Aos sedentos eu darei de beber…

No “Elogio da Sede”, o Papa Francisco dizia que o que mais o encantou foi ter percebido que Deus tem sede da nossa sede.

O vencedor herdará tudo isso: eu serei seu Deus e ele será meu filho.

***

1Jo 3,1-2

Somos filhos de Deus, desconhecidos para mundo. Aqui na terra não se manifestou o que somos. Quando se manifestar – seremos semelhantes a Deus porque o veremos como ele é.

***

Jo 6, 51-52

O pão vivo descido do Céu

Quem come deste pão viverá eternamente

Minha carne para a salvação do mundo

Quem como minha carne permanece. Tem a vida eterna. Eu o ressuscitarei no último dia.

Pe. Robson, o sacerdote que foi formado na têmpera do Pe. Júlio Maria, sob o discipulado Eucarístico-mariano, aprendendo e respirando, dia e noite, a entrega eucarística do Amor e Sacrifício.

Bebeu na fonte, provou do apuro alimento saído do Fundador.

Bom exemplo, fiel escudeiro, aplicado aluno que transformou os ensinamentos em vida, na práxis sacerdotal do ambão, a mesa da Palavra, e do altar, a mesa do pão eucarístico.

Vida-sacramento e vida sacramental – sacramenteiro e sacramentador de almas, conduzindo-as ao seio do Cordeiro de Deus.

Discípulo carregado das marcas julimarianas, disciplinado ao extremo, não corroído pelo peso da responsabilidade, mas pela alegre obediência de quem ama!

***

Pe. Robson Teixeira Campos, SDN

O bom-despachense nascido na Rua dos Operários. Como gostava de dizer foi o primeiro filho dos 10 do casal Dona Mariquinhas – Maria Teixeira Campos e sr. Mundinho – Raimundo Esteves Campos.

Nascido a 22.03.1926, o garoto cresceu em um ambiente religioso, católico. Aprendeu a trabalhar desde cedo quando fora encarregado de fazer as entregas de pães na carroça movida a tração animal.

Certo dia brincando nesta Praça da Matriz foi abordado pelo religioso Frei Tarciso, SDN: – “menino você quer ser padre?” ao que respondeu – “Minha mãe é quem sabe”.

Assim no dia 21.04.1938, parte o garoto para a distante Manhumirim para a escola do Pe. Júlio Maria, a fim de iniciar sua caminhada formativa rumo ao sacerdócio. Foi ordenado sacerdote no dia 08.12.1952. Trabalhou como padre, também como professor nas paróquias:

  1. Nossa Senhora das Dores do Indaiá – 1953-1955; 1979-1989;
  2. Nossa Senhora do Bom Despacho – 1956 -1957; – 1967 – 1977; – 1995; – 2002 – 2018;
  3. Senhor Bom Jesus do Manhumirim – 1958 – 1959; 1964 – 1966;
  4. Nossa Senhora da Glória de Espera Feliz – 1960 – 1963;
  5. Nossa Senhora da Conceição de Alto Jequetibá – 1990 – 1993;

Trabalhou como formador no Seminário Maior Pe. Júlio Maria em Belo Horizonte no ano de 1994. Foi professor em diversos colégios e faculdades.

Gostava do atletismo e do esporte. Desde os tempos de garoto já praticava saltos mortais chegando a chamar a atenção e a arrancar sorrisos do sério Fundador. Este o incentivava, às vezes, à estas “atrocidades” juvenis perante o público festivo e alegre do Seminário Apostólico de Manhumirim.

Foi sempre “curioso”. Curioso não, cientista, de acurado espírito empírico. Pesquisador exímio! Adorava o laboratório. Muitas vezes fez do seu quarto de dormir a sala de experimentos. Tanto que certa vez assustou seu vizinho, o Pe. Jayme, em vista de uma grande explosão e um incêndio, de pequenas proporções, graças a Deus, provocado pela sua sede e sina de cientista.

Amante do “Cronos” – cultivava uma grande admiração pelos relógios! Quando cheguei a Bom Despacho (em 2010) ele tinha em seu quarto uma pequena coleção de 12 relógios de parede.

Gostava de estudar – tinha apreço pela sabedoria e pela filosofia. Apreciava as línguas – último feito: estava na aprendizagem do mandarim (Chinês). Dizia que gastava-se um ano para aprender uma letra do alfabeto!

Absorto em suas pesquisas e reflexões metafísicas, muitas vezes perdia a consciência do resto da vida. Foi assim que esqueceu o carro na porta da escola e caminhou a pé para casa… quando questionado, achou que tinha sido roubado.

Por esta e por outras absorções falhava em encarar o presente. Arrancou riso e graça até mesmo senhor sisudo Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral quando participava de uma missa solene na Igreja de Nossa Senhora das Dores da Floresta.

Pe. Robson foi o homem da bondade, da gentileza, da educação, da mansidão. Sempre bem-humorado – ria de si mesmo e de suas absorções. Não reclama de nada. Nada exigia! Não emitiu um gemido durante sua via-sacra.

Gostava da arte, da literatura, da poesia, da música. Sensato e sensível – preocupava-se com os menos favorecidos. Em Bom Despacho foi um do dos fundadores da ABAP.

Esse foi o nosso Pe. Robson ou o “Parró” como o intitulavam seus alunos. Hoje no céu, com certeza, uma festa, de muitos risos e sorrisos, de atrapalhadas! Quantos “esquecimentos” do Pe. Robson, de coisas que fez e que nunca desagradou alguém. Risos dos seus saltos mortais dos tempos de moleque, no colchão de palha que Pe. Júlio Maria mandou preparar.

Risos da fiel devota que certo dia veio à sua procura para relatar que experimentava visões da Nossa Senhora Aparecida sobre uma árvore. Ele disse: – “Corte o galho da árvore e não mais verá a santa!”

Termino esta fala com a canção de Ana Vilela:

 

Trem bala

“Não é sobre ter todos as pessoas do mundo para si

É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti

É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz

É sobre cantar na chuva de vida que cai sobre nós (…)

É saber se sentir infinito

Nem universo tão vasto e bonito é saber sonhar

Então, fazer valer a pena cada verso

Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do muno e saber que venceu

É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu

É sobre ser abrigo e também[em ter morada em outros corações

E assim ter amigo contigo em todas as situações.”

Quem ama a memória eterniza!

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