Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN
13º Sucessor do Pe. Júlio Maria De Lombaerde
O dia 25 de março não foi uma data escolhida por acaso ou uma simples coincidência que casou bem com a espiritualidade do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, MSF. 25 de março comemora-se a Solenidade da Anunciação do Senhor e neste dia também celebramos com júbilo a Fundação da Congregação dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, como instituição criada e reconhecida pela Igreja, isto em 1929.
Temos vários eventos que são como que fagulhas carismáticas que apontam para a criação da primeira Congregação religiosa masculina fundada no Brasil. São elas: 1º. Pedido para a criação da Congregação [02|02|1926]; 2º. Pedido [22|04|26]; criação e instituição do Pio Sodalício dos Sacerdotes de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento [07|04|1927]; Dom Carloto Fernandes da Silva Távora, Bispo da Diocese de Caratinga-MG, pede a Santa Sé permissão para a elevação do Pio Sodalício à categoria de Congregação religiosa, e por fi m, no dia 25 de março de 1929, Ereção Canônica da Congregação.
Pe. Júlio Maria quis que nascesse o seu grupo de missionários e fosse abençoado pela Igreja na festa da Encarnação do Verbo de Deus: uma expressão de sua espiritualidade. Ele, formado pela espiritualidade francesa, cujo ponto alto era justamente a contemplação da Encarnação do Verbo de Deus com todos os seus desdobramentos.
“O Verbo se fez carne e habitou entre nós” [Jo 1,14], era a grande verdade anunciada por São João, o Evangelista. Pe. Júlio Maria, seguindo seus mestres espirituais, via neste mistério o objeto, o meio e o modelo de adoração perfeita ao Filho, pelo Pai, no Espírito Santo. Esse modo de viver a espiritualidade da Encarnação o levava a uma adesão total a Jesus Cristo, que entrou na história da humanidade assumindo nossa carne, se tornando um de nós, para que nele todas as coisas fossem recriadas.
Nosso Fundador, diariamente, celebrava este mistério na eucaristia, porque segundo ele “a Eucaristia não é outra coisa, senão a Encarnação prolongada: É Belém, é o Egito, é Nazaré, é o cenáculo, é o calvário... [Maria e a Eucaristia, p. 81]”. Nossas Constituições, atualizando esta forma de pensar do Fundador, diz que na eucaristia – “resumo dos mistérios de Deus e de seu Reino – encontramos a fonte da vida missionária que alimentará todas as atividades da Congregação” [Const. n. 77]. Ainda: vivendo a Encarnação do Verbo de Deus de forma existencial assumiremos o lema: Amor e Sacrifício, expressão da espiritualidade do Pe. Júlio Maria alimentada pelo mistério da Encarnação.
Então, para nós Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nascer no dia da Encarnação do Verbo, segundo o entendimento do Fundador e a riqueza da teologia da Igreja, temos hoje um itinerário espiritual e pastoral a ser seguido.
Como Missionários Sacramentinos temos nossa raiz fundacional no mistério da Encarnação, por isso, faz todo sentido aquilo que nossas Constituições nos dizem: “Com o espírito missionário do apóstolo Paulo, que se fez servo de todos, judeu com os judeus, gentio com os gentios, fraco com os fracos, que se fez tudo para todos a fi m de ganhar o maior número (cf. 1Cor 9,19-23), empenhar-nos-emos em assumir os valores positivos da cultura dos destinatários de nossa missão e em buscar a linguagem adequada à sua condição, adaptando-a ao tempo , ao lugar e aos meios que usaremos para evangelizar” [Const. n. 82].
Como missionários do Servo de Deus Júlio Maria De Lombaerde, o processo de Encarnação será sempre um exercício espiritual missionário a ser feito em todos os nossos espaços: paróquias, meios de comunicações, hospital, formação SDN e de lideranças leigas, no serviço de animação vocacional... Como temos feito este processo de nos esvaziarmos de nós mesmos para nos enchermos de Deus? E ainda: como temos nos encarnados no chão de nossas missões?
Fonte: Jornal Coisa Nossa Nº 264 - MAR/ABR 2026 p. 01.