Geraldo Júnior Locutor da Rádio Manhumirim 780
Em 1939, José Nunes da Silva ouviu falar dos Missionários Sacramentinos. O jovem decidiu escrever uma carta para o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, solicitando sua admissão no Seminário. A distância não foi obstáculo para aquele jovem que tinha o firme propósito de ser Padre. Caminhou a pé, de Tarumirim-MG até Manhumirim-MG, sendo recebido e acolhido no Seminário, pelo próprio Pe. Júlio Maria.
Depois de alguns meses no Seminário, participando dos trabalhos junto aos Sacramentinos, o Fundador da Congregação observando o jovem José Nunes, falou que ele seria um bom irmão religioso. Assim iniciou sua caminhada como noviço e passou a se chamar Fr. Vicente.
No noviciado teve como Mestre de Noviços o Pe. Antônio Júlio Filizola Filho. Fr. Vicente foi um noviço piedoso, aplicado nas orações e muito responsável. Pe. Júlio Maria dizia que as grandes obras são realizadas por aqueles que se deixam mover pelo entusiasmo produtivo, entusiasmo pelas coisas boas.
Em 1941, Frei Vicente fez os votos religiosos e, em 1944 os votos perpétuos, consagrando-se a Deus para sempre. Uma característica de Frei Vicente, é que mesmo quando ele estava viajando não deixava de estudar e adquirir bons livros. Nos momentos de descanso, em seu quarto, ele tinha uma rotina, ler e escrever.
Na missão paroquial foi um catequista que gostava de evangelizar as crianças e adultos. Inúmeras vezes era convidado para pregar em retiros compartilhando seu conhecimento sobre a fé. Gostava de catequizar nas periferias da cidade, e o seu local preferido era a Vila Verde onde iniciou a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida.
Frei Vicente destacou-se na gráfica O Lutador. A gráfica era antes de tudo um instrumento de missão, através da impressão de jornais, folhetos e publicações, a fé era difundida e a comunidade era informada e fortalecida. Frei Vicente gostava de escrever, por isso deixou algumas obras que abordam temas como: Espiritualidade, relacionamentos e desenvolvimento pessoal de um modo mais contemporâneo. O primeiro livro publicado foi em 1970, Conhecer para Amar; publicou ainda, Construção do homem 2000, Evangelho dos pecadores, Júlio e Julieta, um livro que aborda o exemplo da verdadeira vida conjugal e, por último, Fragmentos de sabedoria, uma mensagem para cada dia do ano. A leitura desses livros fortalece a fé, desenvolve o raciocínio e enriquece o Espírito.
Frei Vicente amava evangelizar, por isso tinha um programa na Rádio Manhumirim, Cristo no Lar, às 8h50. Líder de audiência, era fiel, comparecia todos os dias para apresentar ao vivo. Pelas ondas do Rádio, Frei Vicente com sua voz calma e serena tocava os corações dos ouvintes com uma mensagem de fé e esperança, era ouvido por todos os credos.
É importante registrar que duas datas marcaram a alma do Frei Vicente: 19 de julho de 1991, quando celebrou seus 50 anos de vida religiosa e a celebração de seus 80 anos de vida, em 11 de agosto de 1992, foi uma grande celebração.
No mês de setembro de 1993, Frei Vicente sofre um derrame cerebral, foi muito bem atendido e cuidado pelas Irmãs Sacramentinas, mas não teve jeito, faleceu no dia 30 de setembro de 1993. A notícia deixou a todos com muita tristeza. Como era muito querido e admirado pela comunidade, uma multidão compareceu para última despedida. O corpo descansou, mas agora estava iniciando seu verdadeiro caminhar rumo ao Pai celeste.
Frei Vicente Nunes era muito querido pela comunidade. Quando andava pelas ruas da cidade parava para dar atenção aqueles que se aproximavam em busca de uma bênção, de um conselho. Sempre tinha uma palavra de esperança, chamava carinhosamente as crianças de florzinhas de Jesus. Ele nos deixou, mas sua presença Sacramentina é lembrada até hoje por muitos. Inclusive empresta seu nome para uma rua no bairro Mangueiras.