Relação fraterna  

O ser humano é um ente natural, capacitado para praticar relações, e habilitado para atrair seus pares ou até expulsá-los do contexto próprio da convivência comunitária. Isto mostra e revela a capacidade inerente à existência de cada pessoa, que a leva a ser mais ou menos fraterna no relacionamento cotidiano social. O dado da fé pode ser componente a mais na sensibilidade dos indivíduos.

Podemos assim dizer que Deus se apresenta na estrutura de comunidade, que é revelado no relacionamento entre as três Pessoas divinas, no estilo de verdadeira família, sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Então, Ele existe na condição de relação permanente na fraternidade, de modelo para a convivência familiar e comunitária. Em nossas realidades deve existir reflexo da vida divina.

A liberdade é condição importante para uma boa relação entre as pessoas. Exige reconhecimento dos valores de cada um, e não são os mesmos em cada indivíduo e nem em cada povo. Tanto Israelitas quanto Hamas, apesar da agressividade de ambos, têm a marca de grandes valores, mas isso não é reconhecido por eles. Desmoronam a riqueza da história construída com sacrifício.

Na dinâmica espiritual encontramos uma relação do fiel com a Trindade, inclusive reconhecendo-se como filho, podendo chamar a Deus de Pai. Ser filho não é ser escravo, submisso aos parâmetros impostos pela Lei, como acontecia no Antigo Testamento. A relação verdadeiramente fraterna, de coração sensível e aberto, tem pés ancorados no amor, na superação de todo tipo de imposição.

Quando celebramos a Festa da Santíssima Trindade, todos os cristãos são envolvidos por causa do batismo, porque ele marca a vida espiritual das pessoas. O batismo provoca comprometimento de relação fraterna, e ultrapassa todo tipo de individualismo intimista e de insensibilidade, porque não há reconhecimento autêntico do outro. Faltando isto, as relações ficam totalmente comprometidas.

É difícil entender a relação exercida no seio da Santíssima Trindade. Também entre os seres humanos não é fácil compreender essa realidade, porque cada uma das pessoas tem sua forma de ser e atuar, podendo até entrar em choque com as formalidades da outra. O valor das relações está presente justamente nessa capacidade e grandeza de acertar as fronteiras que dificultam a convivência.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

Imagem Pixabay

 

 

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